Expressão de Neuropilina-1 em células tronco leucêmicas e mesenquimais de pacientes pediátricos com Leucemia Linfoblástica Aguda de células B
Bolsista: Bruna dos Reis Silva de Jesus
Orientador(a): Eugênia Terra Granado Pina
Coorientador(a):
Milena Botelho Pereira Soares
Resumo:
Relevância e Justificativa: A leucemia linfoblástica aguda (LLA), câncer de maior incidência em crianças, e responsável pelo maior número de mortes nessa faixa etária. A LLA de células B (LLA-B) é caracterizada pelo acometimento dos precursores de linfócitos B, representa 85% dos casos de LLA e, apesar da alta taxa de sobrevida global dos pacientes, cerca de 15-20% dos pacientes sofrem recidiva e a taxa de sobrevida entre estes é de 5-10%. Estudos recentes mostram nas leucemias agudas o papel do microambiente da medula óssea (MO) e os seus componentes, como as células tronco mesenquimais (MSCs) e as células tronco leucêmicas (LSCs), na imunossupressão, quimiorresistência e casos de recidiva, que são os principais desafios da LLA-B. As LSCs, têm a sua capacidade de diferenciação reduzida aos blastos leucêmicos, o que resulta na renovação dessa população celular nas leucemias. Já as MSCs são capazes de realizar a manutenção dos blastos, através de diversos mecanismos como interações contato-dependentes, secreção de citocinas e fornecimento de nutrientes. Outro obstáculo encontrado são as moléculas de adesão e migração celular, as quais participam dos sinais contato-dependentes, auxiliam na modulação do microambiente, propiciam vias de migração para sítios extramedulares, além de estarem envolvidas em processos relacionados à sobrevivência e progressão tumoral. A molécula Neuropilina-1 (NRP-1), destaca-se por estar envolvidas em muitas das vias supracitadas, tendo sua expressão em blastos de LLA-B relacionada a um pior prognóstico. No entanto, sua expressão ainda não está definida claramente nas LSCs e MSCs de pacientes LLA-B. Objetivos: Avaliar a expressão de NRP-1 em LSCs e MSCs de pacientes pediátricos com LLA-B ao diagnóstico e sua correlação com a resposta inicial à terapia, com fatores prognósticos utilizados na definição de grupos de risco e com moléculas relacionadas ao controle da resposta imune e de migração celular. Metodologia: Foram utilizadas amostras de MO e Sangue Periférico (SP) de pacientes de 0 a 18 anos de idade diagnosticados com LLA-B, oriundos dos hospitais Martagão Gesteira, Santa Casa de Misericórdia de Itabuna e Aristides Maltez. Foram coletadas informações nos prontuários dos pacientes quanto a características demográficas, clínico-laboratoriais, e respostas terapêuticas. Células blásticas foram avaliadas quanto à expressão de NRP-1, e moléculas de migração (CD9 e CD31) e de ligantes de checkpoint imunológico (PD-L1 e GAL-9) através de citometria de fluxo. Da mesma forma, as MSCs serão avaliadas quanto a expressão das moléculas, após isolamento a partir de células mononucleadas obtidas por gradiente de ficoll. Também, será realizada análise de bioinformática para identificar expressão gênica de NRP-1 e assinaturas moleculares nas MSCs. Foram realizadas análises estatísticas avaliando a expressão de moléculas nas células blásticas entre diferentes grupos de pacientes e análises iniciais de correlação com dados clínicos. Discussão de resultados: Embora não tenham sido identificadas correlações consistentes entre NRP-1 e os demais marcadores e entre os momentos diferentes do tratamento, foi identificada uma maior expressão da molécula em blastos de pacientes do sexo masculino (p: 0.0123) e em LSCs de pacientes com contagem de leucócitos menor que 50.000 mm3 (p: 0.0411). Além disso, PD-L1 apresentou maior expressão nos blastos no diagnóstico (p: 0.0068), em comparação às LSCs. Por outro lado, durante a DRM, a expressão de PD-L1 foi maior nas LSCs (p: 0.0044). A molécula CD31, por sua vez, apresentou maior expressão estatisticamente relevante nos blastos em comparação com LSCs no diagnóstico (p: 0.0469). Conclusão: Os resultados apresentados mostram a variação da expressão da molécula NRP-1 em blastos leucêmicos e LSCs de pacientes pediátricos de LLA-B, além de outras importantes moléculas relacionadas à resposta imunológica e migração celular.