Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Influência das monoaminoxidases e transportadores de dopamina no comportamento agressivo induzido pelo estresse nos camundongos Swiss Webster.
Bolsista: Victória Liger Ozório
Orientador(a): VIVIANE MUNIZ DA SILVA FRAGOSO
Coorientador(a): GABRIEL MELO DE OLIVEIRA
Resumo: A agressão é definida como um ato que um indivíduo prejudica ou lesa outro(s) de sua própria espécie de forma intencional, sendo uma das causas a presença de transtornos psiquiátricos. Quando a agressão se apresenta de forma exacerbada e constante pode ser considerada patológica, e decorrente de um alto nível de estresse. Utilizando o Modelo Espontâneo de Agressividade (MEA) observamos que alguns indivíduos machos adultos da linhagem Swiss Webster, quando reagrupados, apresentam comportamento altamente agressivo após sofrerem o estresse do reagrupamento. Em estudos prévios observamos um aumento dos níveis de dopamina no córtex pré-frontal dos animais agressores do MEA, e nenhum aumento nos níveis de cortisol nesses animais, sugerindo uma redução na capacidade de desenvolver uma resposta adaptativa ao estresse social provocado pelo reagrupamento. Uma redução do comportamento agressivo após o tratamento com antipsicóticos de uso clínico (haloperidol e risperidona) também foi observado nesses animais, reforçando a influência da dopamina no comportamento agressivo dos animais sob estresse. Além disso mostramos que os níveis do receptor dopaminérgico D1 estão diminuídos nos camundongos altamente agressivos e sugerimos que o aumento de dopamina na fenda sináptica pode ser devido a alterações no transportador de dopamina (DAT) e na enzima monoaminoxidase (MAO). Já foi demonstrado que alterações no transportador de dopamina (DAT) estão presentes em camundongos com deficiência cognitiva e hiperatividade no córtex pré-frontal, e a diminuição na expressão da monoaminoxidase resulta em uma menor ação do eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HHA) em resposta ao estresse. Sendo assim, iremos investigar se há alterações na MAOA, MAOB e DAT nas regiões cerebrais do córtex pré-frontal, amígdala, hipocampo, hipotálamo e hipófise entre os camundongos Swiss Webster submetidos ao MEA. A primeira etapa da pesquisa será aplicar o modelo espontâneo de agressividade. Camundongos machos da linhagem Swiss webster (n = 30), com 3 semanas de vida, serão requisitados ao Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica na Área da Ciência em Animais de Laboratório – CEMIB da UNICAMP. Ao recebermos os animais será realizada a identificação individual (C1 a C5) e agrupados aleatoriamente em 6 grupos (A1 a A6). Na 4ª, 6ª e 8ª semanas de vida, realizaremos o Teste de Suspensão da Cauda (TSC), Etograma e Padrão de Comportamento Agressivo (PCA). Na 10ª semana de vida, será realizada a classificação dos animais de acordo com o TSC, seguido do reagrupamento desses animais, em 5 caixas (R1 a R5) contendo 5 animais em cada, utilizando como critério de escolha para composição do grupo: 1 indivíduo Hiper, 1 indivíduo Hipo e 3 animais Med. Uma gaiola, contendo 5 animais, não será reagrupada (NR), tornando-se nosso controle negativo. Na 12ª, 14ª e 16ª semanas de vida, os testes de etograma e padrão de comportamento agressivo serão repetidos, e os animais serão categorizados em Harmônicos (Har), indivíduos que apresentaram convívio harmônico e sem lesões corporais, tornando-se nosso controle positivo; Agredidos (AgD), animais que apresentam lesões corporais decorrentes de brigas, lutas e agressões; e Agressores (AgR), indivíduos que apresentam alta agressividade em relação aos outros indivíduos do grupo, possibilitando a reprodutibilidade do comportamento agressivo entre os animais. Após a categorização, os animais serão eutanasiados e amostras do tecido cerebral serão coletados para as análises de MAO e DAT por Western Blot. Em seguida, análise estatística dos resultados serão realizadas. Todos os procedimentos experimentais foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais do Instituto Oswaldo Cruz (CEUA/IOC) sob a licença número (L-032/2019-A1) de acordo com a Legislação brasileira e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONCEA).
Utilização de fluorescência para avaliação da atividade antimalárica de compostos-teste in vivo.
Bolsista: ANA LUIZA SOARES CHAVES
Orientador(a): Isabela Penna Ceravolo
Coorientador(a): Antoniana Ursine Krettli
Resumo: A determinação da atividade de potenciais antimaláricos in vivo é realizada no modelo murino, onde é possível se avaliar o metabolismo, a farmacocinética e as propriedades físicas preditivas de uma terapia oral. O padrão ouro utilizado para avaliação da atividade de drogas em camundongos experimentalmente infectados com Plasmodium é a contagem da parasitemia em esfregaços corados por microscopia óptica. No entanto, esse processo é demorado, requer técnicos experientes e não é automatizado. Portanto, a padronização de um método que utilize fluorescência como forma de substituir a contagem em microscópio apresenta vantagens como: (i) maior rapidez na triagem de potenciais antimaláricos, e a (ii) diminuição de resultados inconsistentes que podem ser influenciados por fatores humanos. O objetivo do presente trabalho foi otimizar um ensaio baseado na fluorescência do fluoróforo SYBR Green I (SYBRG), que é um intercalante de DNA, como descrito anteriormente (Arias et al. 2016), onde a fluorescência se apresenta diretamente proporcional à carga parasitária e inversamente proporcional a ação da droga-teste. Para isso, utilizamos camundongos suíços infectados experimentalmente com a cepa NK65 de Plasmodium berghei, em um inóculo de 107 hemácias infectadas. O tratamento com antimaláricos padrões foi realizado no 2°, 3° e 4° dia após a infecção, e a retirada do sangue pela porção final da cauda dos animais para ser incubado com SYBR green I (SYBRG), ou para a realização de esfregaços foi feita no 5° dia. Para testar o limite de sensibilidade do teste de fluorescência, utilizamos inicialmente o antimalárico cloroquina, e, posteriormente, o artesunato, já que a detecção de parasitemias apenas superiores a 1,4% (Arias et al. 2017) seria uma grande limitação caso tivéssemos amostras que apresentasse parasitemias baixas como aquelas encontradas em drogas ativas como os antimaláricos. Sob as nossas condições, que foi a utilização de sangue total, a diluição de SYBRG em tampão de lise, e a posterior incubação por 1 h à temperatura ambiente e sob abrigo da luz, houve a diferenciação de 1,38 a 4,35x entre a fluorescência de amostras de sangue de animais normais e infectados com o P. berghei nos cinco diferentes ensaios já realizados. Para testar a sensibilidade do teste foram realizadas três diferentes curvas de cloroquina, em doses que variaram de 1,25 a 10 mg/Kg. Os valores de r2 do coeficiente de Pearson dos três ensaios foram de 0,8918, 0,8916 e 0,9302 o que representa uma correlação forte e muito forte entre as técnicas de fluorescência e microscopia. Já nas duas curvas de artesunato realizadas, o valor de r2 referente ao coeficiente de Pearson foi de 0,9486 e 0,9785, correspondendo a uma correlação muito forte entre as duas técnicas realizadas. Nosso próximo passo será testar outros antimaláricos, além de extratos de plantas e compostos sintéticos e comparar os resultados obtidos na fluorescência com aqueles obtidos no teste supressivo de Peters (1965), que é o padrão ouro para avaliação de potenciais antimaláricos em camundongos experimentalmente infectados. Financiado pelo PIBIC/CNPq/FIOCRUZ, CNPq, FAPEMIG e IRR.
Monitoramento dos níveis de benzeno, cádmio e chumbo encontrados no ar do ambiente de trabalho de uma oficina mecânica
Bolsista: MAIZA DE ALEXANDRIA DA SILVA
Orientador(a): MARIA DE FATIMA RAMOS MOREIRA
Coorientador(a): RENATO MARCULLO BORGES
Resumo: Os químicos emitidos para o ambiente podem contaminar o ar, a água e o solo, onde se degradam ou persistem como contaminantes. Indústrias como fundições, galvanoplastia, retíficas de motores e siderúrgicas emitem substâncias tóxicas participantes do processo de produção, que contaminam o ambiente e a população. As substâncias químicas existentes nos ambientes de trabalho consistem em um dos principais riscos aos trabalhadores, em especial pela diversidade de agentes químicos existentes. Diversos estudos evidenciam metais e compostos orgânicos voláteis como os principais contaminantes, podendo causar diversos danos à população exposta ocupacionalmente. Pesquisas nos empreendimentos de menor porte são de difícil acesso, bem como falta de percepção dos riscos por estes gerados, o que se reflete inclusive na fiscalização, cujas energias se concentram nas maiores empresas. A retífica é uma atividade de manutenção do motor para reparar pequenos danos causados pelo desgaste natural de utilização, prolongando sua vida útil. As peças que compõem o motor dos veículos sofrem desgastes, agravados com o aumento da quilometragem do veículo e tempo de uso. O material particulado emitido pelas oficinas pode conter metais, tais como chumbo, cádmio, cromo, além de substâncias orgânicas como o benzeno, entre outras, provenientes do combustível, óleos lubrificantes e motores. As oficinas mecânicas tendem a se localizar em áreas urbanas residenciais, visando estarem próximas aos clientes. No município do RJ, nos bairros de Bonsucesso e Manguinhos, foram identificadas aproximadamente 20 oficinas em Bonsucesso e 10 em Manguinhos em área de zoneamento urbano, que deveria ser exclusiva para residências, não sendo permitidas atividades comerciais que gerassem impactos ambientais negativos. O objetivo deste trabalho é avaliar a exposição do ambiente de trabalho ao cádmio, chumbo e benzeno, por meio do monitoramento do ar interno de uma oficina mecânica, utilizando amostragem pessoal e de área, nas diferentes estações do ano.
Ecoepidemiologia das leishmanioses no Piauí: Inferência sobre taxas de infecção do inseto vetor por Leishmania spp., pesquisa de fonte alimentar e caracterização molecular dos parasitos
Bolsista: RAFAELA TAVARES DOS REIS
Orientador(a): CONSTANCA FELICIA DE PAOLI DE CARVALHO BRITTO
Coorientador(a): THAIS DE ARAUJO PEREIRA
Resumo: As leishmanioses apresentam uma grande variedade ecoepidemiológica, com ampla distribuição geográfica e diversidade clínica. Nos últimos anos, estas doenças vêm apresentando mudanças em seus ciclos de transmissão devido a diversos fatores, tendo o inseto vetor, fêmeas de flebotomíneos e as variáveis ambientais, importantes papéis neste contexto. Na presente proposta visamos estudar a fauna de flebotomíneos em municípios do estado do Piauí que são endêmicos para Leishmaniose Tegumentar (LT) e Leishmaniose Visceral (LV). De modo geral, a ocorrência de surtos de leishmanioses tem conhecida relação com impactos ambientais de diversas origens, portanto há que se trabalhar com prováveis fatores determinantes destes processos, que permitam discutir diferentes cenários epidemiológicos. O estado do Piauí representa, territorialmente, a confluência de três biomas brasileiros, o Cerrado, a Caatinga e a Amazônia; esta característica, associada à pobreza, torna o controle de algumas doenças infecciosas um grande desafio. A LV ocorre com maior frequência em área urbanas, inclusive na capital, Teresina. Em relação à LT, estão sendo descritos surtos em algumas regiões urbanas e rurais. Além disso, é possível notar, em algumas localidades, surtos epidêmicos recorrentes de LT onde a presença de vetores dos agentes etiológicos desta forma clinica é insuficiente ou inexistente, sugerindo assim que outras espécies de flebotomíneos possam estar transmitindo os parasitos responsáveis pela LT nestas áreas. Para este projeto, está sendo proposto um conjunto de metodologias amplamente aplicadas e validadas para o estudo da fauna flebotomínica, diagnóstico de infecção natural e pesquisa de fonte alimentar destes insetos, e acoplada a este conjunto, a análise espacial e modelagem matemática, possibilitando correlacionar os resultados obtidos nas diferentes áreas de estudo com os dados ambientais, em um Sistema de Informação Geográfica (SIG). Assim, esperamos produzir novos conhecimentos, não apenas para melhor compreender a ecoepidemiologia e o processo de espacialização da LT e LV nas áreas selecionadas, como também contribuir com elementos que possibilitem nortear e aperfeiçoar as diretrizes voltadas para as políticas públicas de vigilância e controle destes agravos.
PERFIL DE CITOCINAS DE PBMCS HUMANOS FRENTE A AÇÃO DA CONVULXINA, UMA LECTINA DO TIPO C-LIKE ISOLADA DO VENENO DA SERPENTE Crotalus durissus terrificus
Bolsista: LARISSA FAUSTINA CRUZ
Orientador(a): SULAMITA DA SILVA SETUBAL
Coorientador(a): JULIANA PAVAN ZULIANI TRENCH DE SOUZA
Resumo: Os venenos de serpentes têm grande importância na clínica médica, uma vez que os envenenamentos ofídicos são, por vezes, frequentes e graves. Além disso, estes venenos e suas frações isoladas têm sido explorados como ferramentas biológicas ou agentes terapêuticos potenciais (STOCKER, 1990). A Convulxina, uma lectina do tipo C-Like isolada do veneno de Crotalus, indicou em estudos anteriores, uma capacidade imunomoduladora em células mononucleares do sangue periférico humano (PBMCs). A proteína induziu a produção de espécies reativas de oxigênio por monócitos e induziu a ativação do complexo inflamassoma NLRP3, além de induzir a produção de IL-10 pelos PBMCs. Tendo em vista a ativação celular que ocorre por meio da interação das lectinas com receptores de superfícies, cujas respostas podem culminar em uma resposta pró ou anti-inflamatória, o presente estudo visa colaborar com o estudo da CVX, investigando o seu efeito in vitro sobre a função de linfócitos, buscando a melhor compreensão sobre a ativação celular.
PAPEL BIOTECNOLÓGICO DAS TOXINAS ISOLADAS DO VENENO DE Crotalus durissus terrificus SOBRE OS FLAVIVIRUS
Bolsista: JOAO GABRIEL DOS SANTOS MAGALHAES
Orientador(a): JULIANA PAVAN ZULIANI TRENCH DE SOUZA
Coorientador(a): SULAMITA DA SILVA SETUBAL
Resumo: Os venenos animais são uma fonte de diversas moléculas (peptídeos, proteínas e enzimas) muitas das quais ainda não possuem a sua atividade biotecnológica determinada. O veneno da serpente Crotalus durissus possui uma grande variedade de compostos inorgânicos e orgânicos. Estes compostos biológicos contribuem na imobilização e digestão da presa, levando a mesma ao óbito. No veneno de serpentes do gênero Crotalus, a crotoxina apresenta é a proteína majoritária do veneno. É uma ?-neurotoxina heterodimérica que atua na junção neuromuscular. A subunidade CA (crotapotina) não tem um função bem caracterizada, porém há evidências que a molécula atue como carreadora da fração CB (Fosfolipse A2), chaperona, o que aumenta a sua potência. A subunidade CB confere atividade fosfolipásica ao veneno crotálico e a crotoxina. Estudos tem demonstrado a ação direta da crotoxina às células de músculos esqueléticos induzindo miotoxicidade sistêmica, caracterizada pela presença de mioglobinúria, mioglobinemia e por aumento dos níveis séricos de creatino cinase, lactato desidrogenase e aspartato aminotrasferases, além de exercer seu efeito pela a associação da fração CB às membranas plasmáticas e às terminações nervosas. Outro componente importante é a crotamina, uma miotoxina que age nas membranas das fibras musculares, responsável por causar mionecrose no tecido muscular e induzir a paralisia espasmódica em músculos esqueléticos de origem periférica por meio da despolarização do potencial de membrana das células musculares. A convulxina é responsável pela perda de equilíbrio, alterações gastrintestinais, convulsões e alterações visuais logo após sua inoculação. A giroxina é semelhante a trombina com ação fibrinolítica. A crotalfina um componente peptídico com estrutura semelhante ao componente não-tóxico crotapotina. A crotalfina possui forte ação antinociceptiva mediada pela ativação de receptores opiódes tipo ?. A busca por fármacos antivirais para tapamento de infecções por vírus de RNA, como é o caso da dengue e febre amarela por exemplo, é uma premissa de vários grupos de pesquisa nacionais e internacionais. A família Flaviviridae é composta por três gêneros: Flavivirus, Pestivirus e Hepacivirus. No gênero Flavivirus estão incluídos cerca de 39 espécies que são considerados arbovírus, sendo alguns causadoras de encefalites e outros de febres hemorrágicas em humanos e animais. O vírus da dengue, que compõe essa família, possui quatro sorotipos relacionados que compartilham um ciclo de transmissão comum. Diferentemente da maioria dos arbovírus, o Dengue conta com transmissão por mosquitos vetores que vivem em estreita associação ao ser humano, o Aedes aegypti. O Ae. aegypti é o principal vetor do vírus da dengue na maioria dos locais, com Ae. Albopictus e Ae. polynesiensisservindo como vetores secundários. Este vírus pode afetar pessoas de todas as idades, incluindo recém-nascidos, crianças, adultos e idosos, causando um espectro de doenças que vai desde a febre da dengue até as formas mais graves de dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue. O DENV são os mais importantes patógenos arbovirais humanos, com uma estimativa de 50-100 milhões de casos anuais e dezenas de milhares de casos de da forma mais grave, que é por vezes fatal, a síndrome da febre hemorrágica da dengue. Nesse sentido, os venenos e suas toxinas podem se constituir em ferramentas de fonte natural que podem atuar nas diversas etapas de replicação viral, desde a absorção do vírus na célula hospedeira até a sua liberação resultando em ferramentas complementares àquelas atualmente disponíveis no mercado.
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