Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição 1

Revista: Edição 1 | Ano: 2023 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Diversidade de formas imaturas de parasitos intestinais em fezes de aves Antárticas
Bolsista: LARISSA MACHADO DE OLIVEIRA MAIA
Orientador(a): MARTHA LIMA BRANDAO
Coorientador(a): MARCIA CHAME DOS SANTOS
Resumo: O Projeto FioAntar fez suas primeiras expedições para a Antártica em novembro de 2019 e em janeiro de 2020. Dessas duas expedições 128 amostras de fezes foram coletadas e depositadas na Coleção de Paleoparasitologia e Fezes Recentes de Animais da Fiocruz (CPFERA). Os objetivos desse projeto são a identificação das formas imaturas de parasitos intestinais presentes nas fezes; a identificação da espécie proveniente da amostra em questão; a utilização dessas informações para inferir sobre a circulação de helmintos intestinais no continente antártico. Dados sobre comunidades de helmintos podem fornecer informações sobre saúde, interações alimentares, comportamento e evolução de seus organismos hospedeiros. As aves marinhas são componentes importantes na cadeia alimentar marinha e o conhecimento de suas comunidades de helmintos pode ser utilizado como um indicador de saúde ecossistêmica.
Avaliação da Produção de Lodo por um Reator em Batelada Sequencial (RBS) em escala de Bancada realizando o Cotratamento
Bolsista: LUCAS DE SOUZA BRAZ DOS SANTOS
Orientador(a): JAIME LOPES DA MOTA OLIVEIRA
Coorientador(a): Não informado
Resumo: O tratamento de esgoto com remoção biológica de nutrientes ainda é um desafio, principalmente quando se quer realizar o co-tratamento (esgoto com lixiviado de aterro sanitário). Uma das tecnologias que pode ser usada para este propósito é o reator em batelada sequencial (RBS). Isto porque neste processo é possível promover diferentes fases metabólicas importantes para a remoção simultânea de matéria orgânica e nitrogênio. No entanto, pouco se sabe sobre os parâmetros cinéticos de um sistema híbrido (com diferentes etapas metabólicas), tais como a taxa líquida de crescimento de biomassa (µ) e o coeficiente cinético (K). Neste trabalho será realizado um monitoramento de dois RBS (com e sem lixiviado) para o cálculo de µ e K. Para isso será montado dois RBS de 21 litros operando com as fases anaeróbia (2 horas), aeróbia (3 horas) e anóxica (5 horas). Um dos RBS será alimentado por esgoto sintético e o outro por esgoto sintético contendo lixiviado de aterro sanitário (1% v/v). Esses reatores ficarão operando por um tempo sem o descarte de lodo para a determinação dos parâmetros cinéticos. Amostras de esgoto bruto e tratado serão coletadas para as análises de demanda química de oxigênio (DQO) e nitrogênio total (NT). Além disso, amostras do liquor misto serão retiradas para a análise de concentração de biomassa em termos de sólidos em suspensão voláteis (SSV). Esses dados serão utilizados para os cálculos de taxa líquida de crescimento de biomassa e as constantes cinéticas.
SÍNTESE E AVALIAÇÃO BIOLÓGICA DE DERIVADOS BENZIMIDAZOLIDRAZÔNICOS POTENCIALMENTE ATIVOS FRENTE A DOENÇA DE CHAGAS
Bolsista: PEDRO MAYNART CORIOLANO DE MELO
Orientador(a): SAMIR D'AQUINO CARVALHO
Coorientador(a): EDSON FERREIRA DA SILVA
Resumo: JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA A doença de Chagas (DCH), também conhecida como tripanossomíase americana, é uma doença tropical causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (T. cruzi). Foi descoberta em 1909 pelo médico e pesquisador brasileiro Carlos Ribeiro Justiniano Chagas, e possui como principais vetores insetos hematófagos do gênero Triatoma, conhecidos popularmente como “barbeiro”. A DCH é uma doença considerada negligenciada pela Organização mundial de saúde (OMS), tendo em vista principalmente o desinteresse da indústria farmacêutica pois acomete principalmente a população socioeconomicamente desfavorecida (FIOCRUZ, 2022; WHO, 2022a). A DCH é um grave problema de saúde pública global, sendo endêmica nos 21 países da américa Latina. A mesma acomete de 6 a 7 milhões de pessoas, colocando 75 milhões de pessoas em risco de contaminação, e levando a aproximadamente 10.000 mortes (WHO, 2022b). As formas de transmissão mais comuns ocorrem de forma vetorial, transfusão de sangue ou transplante de órgãos, por via oral, por via congênita ou mesmo ocasionado por acidente de laboratório (Góes Costa et al., 2017; De Oliveira; Soccol; Rogez, 2019). Em áreas endêmicas a infecção se dá principalmente de forma vetorial, em contrapartida nas não endêmicas prevalece as demais formas de contaminação. A doença apresenta-se em duas fases: aguda e crônica. A fase aguda é a fase inicial da doença que pode ser sintomática ou não. Já a fase crônica caracteriza-se por um estágio mais avançado da doença, podendo-se manifestar de forma cardíaca, digestiva, cardiodigestiva ou mesmo assintomática. O tratamento no Brasil para a DCH está restrito a utilização do fármaco Benznidazol (Bz), que além de apresentar baixa eficácia na fase crônica (10 - 20 %), apresenta diversos efeitos colaterais (Patterson; Wyllie, 2014; Ministério da Saúde, 2022). Mesmo após um século de sua descoberta, a DCH continua sendo uma importante causa de mortalidade e morbidade no Brasil. Em vista disso, a necessidade de busca por novas terapias antichagásicas é imprescindível (Ministério da Saúde, 2022). PLANEJAMENTO ESTRUTURAL DOS NOVOS DERIVADOS BENZIMIDAZOL-HIDRAZONAS (10 – 26) O núcleo benzimidazol vem sendo estudado por ser uma estrutura privilegiada de grande aplicação na química medicinal. Derivados benzimidazólicos são reportados na literatura apresentando um amplo espectro de atividade biológica como antiprotozoária, anticâncer, antiúlcera, antihistamínico, antimicrobiana, dentre outras (Beltran-Hortelano et al., 2020). Diversos estudos têm mostrado o núcleo benzimidazólico como um importante grupo farmacofórico frente ao T. cruzi (Figura 1) (De La Torre et al., 2017; Beltran-Hortelano, 2020). Ademais, derivados desse núcleo têm sido reportados na literatura como inibidores de enzimas importantes da via metabólica do parasito, como a cruzaína. Este núcleo é descrito na literatura como um inibidor não covalente de cruzaína em concentrações nanomolares e com atividade tripanocida (Santos et al., 2019). Um estudo realizado por McNamara et al. (2020) em parceria com a GlaxoSmithKline (GSK) realizou uma triagem de alto rendimento (HTS), do inglês “high throughput screening”, de diversos derivados benzimidazólicos. O derivado 6 apresentou-se como um hit nessa análise, com IC50 de 0,63 µM frente a forma amastigota de células hospedeiras de fibroblastos embrionários primários de camundongos (NIH-3T3) (Figura 2). Não menos importante, outro núcleo que tem sido de grande relevância no que tange o desenvolvimento de diversas moléculas bioativas é o grupo N-acilidrazona (NAH). Este núcleo possui promissora atividade farmacológica, dentre as quais pode-se citar anticâncer, antiviral, antifúngica, antituberculose antimicrobiana, anti-inflamatória, anticonvulsivante, anti-HIV, antioxidante, analgésica e antiprotozoária (Sharma et al., 2020). Existem na literatura diversos trabalhos os quais reportam a promissora atividade de N-acilidrazonas com atividade frente a T. cruzi (RODRIGUES et al., 2002; Carvalho et al., 2004; Carvalho et al., 2012; Hernández et al., 2013; Poletto et al., 2020; Rosas-Jimenez et al., 2021). Baseado no trabalho de Rodrigues e colaboradores (2002) foram realizadas simplificações moleculares e com a ajuda do programa DOCK (DOCK V 3.5) permitiu-se identificar uma família de N-acilidrazonas como potentes inibidores de cruzaína. Dentre estes, o composto 7 contendo tienil-pirazol como substituinte, exibiu melhor perfil de inibição enzimática com IC50 de 0,2 µM (Figura 3) (Rodrigues et al., 2002). Figura 3 Estrutura química do derivado N-acilidrazona tienil-pirazol ativo frente a cruzaína Baseado no trabalho desenvolvido por Carvalho e colaboradores em 2012 no qual foram sintetizadas e testadas uma série de hidrazonas com atividade antichagásica, destacou-se o derivado (8) que demonstrou, no ensaio “in vitro,” IC50 = 5,9 µM. Após alguns anos, Capelini e colaboradores (2021), obtiveram um conjunto de fenoxiacetoidrazonas, dentre as quais o derivado (9) ganhou destaque com atividade promissora frente a forma amastigota e tripomastigota do protozoário (IC50 = 40 nM). Cabe ressaltar que este derivado (9) se apresentou 37 vezes mais ativo que o benznidazol (IC50 = 1,5 µM). Dessa maneira, evidencia-se a potencialidade do grupo N-acilidrazona na atividade tripanocida in vitro (Figura 4). Figura 4 NAH ativas frente a T. cruzi sintetizada por nosso grupo de pesquisa Nesse sentido, com o intuito de potencializar a atividade, englobando não apenas grupos com atividade tripanocida, mas também com inibição frente a cruzaína aplicou-se a técnica de hibridação molecular. Assim sendo, empregando a hibridação molecular entre os dois potentes inibidores de cruzaína descritos, o benzimidazol (A) e o núcleo N-acilidrazona (B) (Figura 5), pretende-se potencializar o perfil de ação dos novos derivados propostos. Os dois agentes parasitários escolhidos para a realização da hibridação molecular foram os derivados 6, pela oferta da unidade farmacofórica benzimidazol (A) com IC50 de 0,63 µM frente a células (NIH-3T3) de T. cruzi, e 7 contendo o grupo farmacofórico hidrazona (B), com atividade de IC50 = 0,2 µM frente a cruzaína. A importância deste estudo se dá devido a cruzaína ser a enzima mais abundante presente no parasito e estar envolvida em todo seu ciclo biológico, se tornando um alvo molecular muito atrativo. A primeira série de compostos (Figura 6) será baseada em modificações moleculares na porção Het/Ar (10-26) com o intuito de avaliar como o efeito eletrônico e lipofílico dos substituintes pode influenciar o perfil antiparasitário desta nova série de N-acilidrazonas. Baseado no planejamento estrutural, e com o intuito de potencializar a atividade tripanocida a ser observada na triagem dos derivados 10-26 será proposta uma substituição no nitrogênio (NH) do anel benzimidazólico, haja vista a potencial atividade dos compostos 4 e 6. Essa substituição consistirá na troca do hidrogênio por diferentes grupos, a fim de observar se haverá ou não um efeito potencializador da atividade. Além disso, deve-se levar em conta que as propriedades farmacológicas, como a lipofilicidade, são importantíssimas para a fase crônica da DCH (Castelo-Branco, 2015; Ferreira et al., 2019). OBJETIVOS O presente projeto tem por objetivo geral sintetizar novos derivados híbridos a partir de grupos farmacofóricos bem definidos, os quais possam ser úteis na quimioterapia da doença de Chagas. a) Planejar uma série de benzimidazol-hidrazonas utilizando o conceito de hibridação molecular; b) Sintetizar 17 compostos desta nova família utilizando rotas sintéticas viáveis e caracterizá-los quanto às técnicas de espectrometria e espectroscopia; c) Avaliar a atividade tripanocida, “in vitro”, nas duas formas de relevância clínica: amastigotas e tripomastigotas, utilizando protocolos consolidados na literatura; d) Avaliar o perfil citotóxico das benzimidazol-hidrazonas; METODOLOGIA O intermediário benzimidazol metanóico (28) será obtido através da reação de substituição nucleofílica entre o-felilenodiamina (27) e ácido glicólico. O intermediário (28) será oxidado a ácido carboxílico (29) empregando como agente oxidante permanganato de potássio em meio básico. O derivado éster (30) será obtido através da reação do ácido (29) com cloreto de tionila, de modo a formar inicialmente um intermediário cloreto de acila. Este por sua vez, ao ser submetido a refluxo em etanol leva a uma reação de substituição nucleofílica conduzindo assim a formação do intermediário (30). Na etapa posterior, o benzimidazol carbohidrazida (31) será obtido através da substituição acíclica utilizando hidrato de hidrazina como nucleófilo. Por fim, os derivados benzimidazol carbohidrazonas (10 - 26) serão obtidos através da reação de adição à carbonila do benzimidazol carbohidrazida (31) aos respectivos aldeídos. PERSPECTIVAS Pretende-se sintetizar uma segunda série dos compostos com os melhores resultados na triagem da avaliação biológica da primeira série, realizando uma substituição no nitrogênio (NH) benzimidazólico por diferentes grupos químicos. Assim como avaliar a atividade tripanocida, “in vitro” e o perfil citotóxico dos novos derivados. REFERÊNCIAS Beltran-hortelano, I.; Alcolea, v.; Font, M; Pérez-Silanes, S.. The role of imidazole and benzimidazole heterocycles in Chagas disease: A review. European Journal of Medicinal Chemistry, v. 206, n. 15, p. 112692, 2020. Carvalho, S. A.; Santa-Rita, R. M.; de Castro, S. L.; Fraga, C. A. M. Synthesis and antitrypanosomal profile of new functionalized 1,3,4-thiadiazole-2-arylhydrazone derivatives, designed as non-mutagenic megazol analogues. Bioorganic & Medicinal Chemistry Letters.; v.14, n. 24, p. 5967-5970, 2004. Carvalho, S. A.; Feitosa, L. DE O.; Soares, M.; Costa, T. E.; Henriques, M. G.; Salomão, K.; De Castro, S. L.; Kaiser, M.; Brun, R.; Wardell, J. L.; Wardell, S. M.; Trossini, G.H.; Andricopulo, A. D.; da Silva, E. F.; fraga, C. A. Design and synthesis of new (E)-Cinnamic N-Acylhydrazones as potent Antitrypanosomal agents. European Journal of Medicinal Chemistry. v. 54, p. 512-521, 2012. Castelo-Branco, F. S. Derivados Acílicos da Isoniazida e Novos 1,2,4-Triazóis: Contribuições na Luta Contra a Tuberculose e a Doença De Chagas. Tese (Doutorado em Química), Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. Capelini, C.; Câmara, V. F.; Villar, J. D. F.; Barbosa, J. M. C.; Salomão, K.; De Castro, S. L.; Junior, P. A. S.; Murta, S. M. F.; Couto, T. B.; Lourenço, M. C. S.; Wardell, J. L.; Low, j. N.; Da Silva, e. F.; Carvalho, S. A. Synthesis, Antitrypanosomal and Antimycobacterial Activities of Coumarin N-Acylhydrazonic Derivatives. Medicinal Chemistry, v. 17, n. 6, p. 630– 637, 2021. De la Torre, S. M. D; Vázquez, C.; González-Chávez, Z.; Yépez-Mulia, L.; Nieto-Meneses, R.; Jasso-Chávez, R.; Saavedra, E.; Hernández-Luis. F. Synthesis and biological evaluation of 2-methyl-1H-benzimidazole-5-carbohydrazides derivatives as modifiers of redox homeostasis of Trypanosoma cruzi, Bioorganic & Medicinal Chemistry Letters, v. 27, n. 15, p. 3403-3407, 2017. De Oliveira, A; SoccoL, V. T; Rogez, H. Prevention methods of foodborne Chagas disease: Disinfection, heat treatment and quality control by RT-PCR. International Journal of Food Microbiology, v. 301, n. 301, p. 34–40, 2019. Ferreira, R.S.; Dessoy, M .A.; Pauli I.; Souza, M. L.; Krogh, R.; Sales, A. I.; Oliva, G.; Dias, L. C.; Andricopulo, A. D. Synthesis, biological evaluation, and structure-activity relationships of potent noncovalent and nonpeptidic cruzain inhibitors as anti-Trypanosoma cruzi agents. J Med Chem, v. 57, n. 6, p. 2380-2392, 2014. Fiocruz. Portal da doença de chagas. Disponível em: http://chagas.fiocruz.br/. Acessado em: 30 mar. 2022. Góes Costa, E.; Dos Santos, S. O.; Sojo-Milano, M.; Amador, E. C. C.; Tatto, E.; Souza, D. S. M.; De A. Costa, F.; PóvoA, R. M. S. Acute Chagas Disease in the Brazilian Amazon: Epidemiological and clinical features. International Journal of Cardiology, v. 235, p. 176–178, 2017. Hernández, P.; Rojas, R.; Gilman, R.H.; Sauvain, M.; Lima, L. M.; Barreiro, E. J.; González, M.; Cerecetto, H. Hybrid furoxanyl N-acylhydrazone derivatives as hits for the development of neglected diseases drug candidates. Eur J Med Chem, v. 59, p.64-74, 2013. McNamara, N.; Rahmani, R.; Sykes, M. L.; Avery, V. M.; Baell, J. Hit-to-lead optimization of novel benzimidazole phenylacetamides as broad spectrum trypanosomacides. RSC Medicinal Chemistry, v. 11, p. 685-695, 2020. Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doenca-de-chagas. Acessado em 8 de março de 2022. Patterson, S.; Wyllie, S. Nitro drugs for the treatment of trypanosomatid diseases: Past, present, and future prospects. Trends in Parasitology, v. 30, n. 6, p. 289-298, 2014. Poletto J.; Da Silva, M. J. V.; Jacomini, A. P.; Bidóia, D. L.; Volpato, H.; Nakamura, C. V.; Rosa, F. A. Antiparasitic activities of novel pyrimidine N-acylhydrazone hybrids. 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Disponível em: https://www.who.int/health-topics/neglected-tropical-diseases#tab=tab_1. Acessado em: 18 de março de 2022. Who, 2022b. Chagas disease (also known as American trypanosomiasis. World Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/chagas-disease-(american-trypanosomiasis)#:~:text=Chagas%20disease%2C%20also%20known%20as,cruzi. Acessado em 02 de abril de 2022.
Quantificação da carga parasitária em amostras coletadas de borda interna e externa de lesões cutâneas ulceradas de pacientes com leishmaniose tegumentar americana
Bolsista: LYS ALMEIDA E ALBUQUERQUE
Orientador(a): CINTIA XAVIER DE MELLO
Coorientador(a): CAIO THOMAZ DE LIMA E SILVA
Resumo: II - JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA A leishmaniose cutânea (LC) é uma doença infecciosa, causada por parasitos do gênero Leishmania. Segundo as recomendações da OMS e do Ministério da Saúde, o local de eleição para coleta de material para diagnóstico da LC, é a borda da lesão, pois supõe-se que essa localização contenha a maior quantidade de parasitos (OMS, 2010; BRASIL, 2017). Entretanto, a dispersão dos parasitos na lesão de LC tem sido rediscutida (RAMIREZ et al., 2000, ADAMS et al., 2014; SUAREZ et al., 2015). Nosso grupo tem estudado a distribuição parasitária na lesão, de Mello et al. (2011) avaliaram 110 pacientes empregando a escarificação de lesão cutânea ulcerada observando por microscopia ótica maior sensibilidade para o procedimento realizado na borda interna da lesão. Posteriormente, Thomaz et al. 2020 avaliaram essas mesmas amostras pela qPCR e confirmaram maior carga parasitária nesse local associada a maior necrose na análise histopatológica. Alguns aspectos ainda necessitam ser estudados mais profundamente com o auxilio de outras técnicas e incluindo todos os locais da lesão como o centro da úlcera. Esse trabalho tem como objetivo avaliar a carga e a viabilidade parasitária a partir de fragmentos de tecido obtidos de borda interna, externa e centro de lesões ulceradas de LC. Os resultados obtidos podem constituir evidências para novas diretrizes nacionais na conduta diagnóstica da LC. III - OBJETIVOS Objetivo geral Quantificar a carga parasitária utilizando a técnica de qPCR, e avaliar a viabilidade de Leishmania sp pela RT-qPCR em espécimes clínicos obtidos a partir de amostras coletadas de diferentes locais de lesões ulceradas de LC. Objetivos específicos a) Realizar revisão bibliográfica sobre a distribuição parasitária na lesão ulcerada de LC; b) Realizar a extração de DNA e RNA; c) Quantificar e comparar empregando a qPCR, a carga parasitária; d) Avaliar a viabilidade parasitária empregando a RT-qPCR através dos transcritos do gene 7SLRNA a partir de fragmentos de tecidos obtidos por biópsias da borda interna, externa e centro de lesões ulceradas suspeitas de LC; e) Avaliar e correlacionar os resultados com tempo de evolução de lesão e desfecho clínico; IV – METODOLOGIA Aspectos éticos e Delineamento do estudo Este estudo possui aprovação do CEP/IOC/FIOCRUZ (30323520.4.0000.5248) e se trata de uma análise transversal de um estudo de coorte. A população do estudo será constituída de pacientes que apresentarem lesões cutâneas ulceradas sugestivas de LC atendidos no período de 06/20 até 06/23 no INI/Fiocruz. Técnicas Laboratoriais A biópsia da lesão será realizada pelo médico e será retirado um punch de 3mm da borda interna, externa e centro da lesão sob anestesia local. Os fragmentos serão acondicionados em RNA later®. Para obtenção do RNA e DNA, será utilizado o método do Trizol associado a coluna RNeasy mini Kit. O RNA será quantificado pelo nanodrop® e, posteriormente, tratado com DNase I. A transcrição reversa será realizada a partir de 2,0 µg de RNA tratado, utilizando o Superscript IV Vilo®. A quantificação absoluta da carga parasitária (qPCR) nos sítios de lesão será realizada com base em diluições seriadas da curva padrão a partir de formas promastigotas de L. Braziliensis, utilizando primers direcionados ao kDNA (Weirather et al., 2011 ). E será realizada a quantificação do gen normalizador ?-actina humana (RODRIGUES et al, 2011). Para RT-qPCR, serão utilizados 100ng de cDNA por poço em triplicata. Será realizada uma quantificação relativa e os resultados serão expressos em 2-??Ct (fold change), entre amostras da borda interna, externa e centro. Serão utilizados iniciadores que amplificam a região do gen 7SLRNA de Leishmania (ZELAZNY et al., 2005), e iniciadores que amplificam o gene de referência GAPDH. Controles negativos e controles da reação de transcrição reversa serão adicionados a cada reação realizada. Todas as reações serão realizadas em triplicata utilizando o termociclador StepOne® sistema Sybrgreen.
Avaliação da eficiência de recuperação viral em queijo Minas artesanal por diferentes abordagens.
Bolsista: lais marques pimenta
Orientador(a): CARINA CANTELLI PACHECO DE OLIVEIRA
Coorientador(a): Não informado
Resumo: Doenças transmitidas por alimentos (DTAs) têm alto impacto socioeconômico em saúde pública. No Brasil, a vigilância de infecções virais transmitidas por alimentos é inexistente e sustors de gastroenterite aguda (SGA) associados à ingestão de alimentos não possuem a etiologia definida. Alimentos prontos para consumo (queijos, carnes, ostras e frutas) contaminados com norovírus (NoV) são mundialmente reportados em SGA. Embora estudos brasileiros tenham apontado o possível papel do queijo como veículo de transmissão de vírus entéricos, ainda não é preconizada pelas normativas brasileiras a avaliação viral como requisito de qualidade nestes alimentos. A norma européia ISO 152165 que trata sobre a metodologia para detecção de NoV em categorias de alimentos de alto risco, indica para produtos lácteos (queijos) o processamento através da coleta da amostragem por superfície. Esta abordagem é indicada para avaliação do alimento com alto risco de contaminação devido à manipulação inadequada (durante o processo ou quando comercializada). Contudo, o leite é uma matriz extremamente complexa, rica em proteínas, polissacarídeos e ácidos graxos, e para o queijo Minas artesanal (QMA) que provêm de uma matéria prima crua, o processamento da amostra e as etapas subsequentes de extração viral tornam-se críticos na recuperação dos vírus alvos. Desta forma, o estudo objetiva avaliar a eficiência de três diferentes metodologias de recuperação viral utilizando o mengovírus (MgV) como controle interno (CI) no processo de detecção de NoV genogrupos I e II (GI e GII) em QMA. Metodologia: Trinta amostras de QMA serão processadas através da: amostragem por superfície (a), homogeneização com TRIzol® (b) e digestão com proteinase K (c), de acordo com protocolos descritos previamente. Nas três abordagens, inóculos de NoV GII (105 cópias genômicas, cg) e do MgV (107 cg) serão adicionados ao início do processo. Ácidos nucleicos serão extraídos com kit comercial, e a detecção/quantificação dos NoV e do MgV será realizada pela RT-PCR quantitativa (RT-qPCR) (7500 Real Time PCR System®), de acordo com protocolos descritos previamente. A recuperação de MgV e do NoV pelos três métodos será analisada qualitativa e quantitativamente, e possíveis correlações poderão ser realizadas, sendo considerados estatisticamente significativos quando p-level ? 0,05.
Avaliação da Microbiota Bacteriana do Solo em Cultivos Irrigados com Água de Reúso
Bolsista: RODRIGO BEZERRA DA SILVA
Orientador(a): Adriana Sotero Martins
Coorientador(a): NATASHA BERENDONK HANDAM
Resumo: JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA Atualmente, no Brasil e no Mundo, observam-se vários exemplos da utilização de água de reúso na agricultura (MANCUSO e SANTOS, 2013). A água de reúso é definida como a reutilização de águas, estas provenientes de efluentes tratados (MORAIS et al., 2016). A agricultura é a atividade econômica que mais demanda água, e devido à escassez das fontes hídricas para esta atividade em diversas regiões, a água de reúso se torna uma alternativa para enfrentamento desse problema (MANCUSO e SANTOS, 2013). A utilização de água de reúso traz diversos benefícios à agricultura como fonte de nutrientes que auxiliam o crescimento de cultivos e de água, entretanto deve-se ter segurança da qualidade sanitária para não prejudicar a saúde humana e ambiental. A água de reúso pode conter micropoluentes, tais como produtos químicos e microrganismos, podendo oferecer riscos à saúde pública e ambiental. A utilização da água de reúso na microbiota do solo podem ou não beneficiar microrganismos, variando de acordo com a quantidade aplicada e composição da água de reúso. Quando aplicada em alta quantidade e possuir uma grande carga de nutrientes como fósforo e nitrogênio, patógenos, metais pesados e antibióticos, o solo não consegue realizar a sua função de reciclabilidade, e assim pode alterar as características do solo (LIU et al., 2013). OBJETIVOS Objetivo Geral Analisar alterações na microbiota do solo antes e após os ensaios de irrigação com água de reúso dos cultivos de hortaliças Petroselium sativum. Objetivos Específicos Avaliar alterações na microbiota do solo antes e depois dos ensaios de rega de hortaliças Petroselinum sativum (salsa) com água de reúso Analisar a presença de bioindicadores moleculares de contaminação na água de reúso e indiretamente avaliar os efeitos desse tipo de água sobre a microbiota do solo. METODOLOGIA Para avaliar alterações na microbiota do solo antes e depois dos ensaios de irrigação de hortaliças Petroselinum sativum com água de reúso, serão realizados ensaios utilizando a técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), usando bioindicadores moleculares de contaminação. Serão utilizados iniciadores (primers) específicos de microrganismos associados à contaminação hídrica por esgoto doméstico (MOURA, 2019), tais como: Escherichia coli (E. coli), Adenovírus sorotipos 40 e 41, e Methanobrevibacter smithii (M. smithii). Estes microrganismos serão usados, pois foram verificados como presentes em estudo de Moura (2019), que foram as mesmas amostras de água de reúso utilizadas no presente estudo. A PCR será realizada com volume de 3 MicroLitro (20 ng) de DNA, utilizando um termociclador VERITI Applied Biosystems. Para que seja feita a PCR dos três microrganismos alvos ao mesmo tempo o protocolo de Moura (2019) será otimizado, para que as etapas de ciclagem da máquina corram simultaneamente. Após a PCR, 10 Microlitro das reações serão submetidas à eletroforese, e depois serão feitas as visualizações das bandas de amplificação nos géis, por meio de exposição à luz ultravioleta (UV). A atividade de acesso ao Patrimônio Genético foi cadastrada no SisGen sob o n AAC8F2F, em atendimento ao previsto na Lei n 13.123 2015.
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